Senti um vazio dentro de mim. Uma sensação incômoda e estranha como se faltasse algo, um vazio mesmo, um espaço sem preenchimento.
A princípio eu lutava e tentava acabar com esta sensação angustiante e dolorosa. Agora, quando ela me toma me coloco de outra forma. Não luto mais contra isso, percebi que é pior lutar contra si mesmo. Esse sentimento sou eu em carne viva, ferida exposta, parte do meu íntimo explicito portas e janelas abertas em dia de tempestade. É um espetáculo de mim para eu mesmo. Visualizo então tudo que sou e posso ser.
Depois eu penso...
Que vazio curioso, vejo tudo ali! É um falso vazio, talvez esse vazio total não seja possível. No entanto há uma sensação de vazio emocional, de perda de afeto, uma falta.
Continuo...
mas é a partir desse vazio que novas emoções surgem, para preencher esse falso-vazio. Que talvez não chegue a ser um vazio, posto que é imediatamente preenchido, mas é a abertura de um fluxo, uma comporta que se abre e por onde escoa novas emoções que buscam novos territórios, novos espaços. O vazio é o fluxo. Esse vazio é um desterritório e se dá no corpo, no dentro, no íntimo , mesmo sendo este um território.
Só pode haver fluxo onde há espaço vazio, só pode ser preenchido o que não está completo.
Que bueno este vazio! É uma grande abertura para possibilidades, é um portal para todas as encruzilhadas.
Que insuportável esse vazio! Não ter no que se agarrar, ser tudo possível, ser livre pra escolher... escolho então, serei isso ou aquilo, aqui ou acolá. Mas logo essa escolha se tornará velha e desgastada, se romperá e o vazio ainda estará em toda parte, renovado e jovial, forte e inabalável.
Vazio maravilhoso!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)
