Senti um vazio dentro de mim. Uma sensação incômoda e estranha como se faltasse algo, um vazio mesmo, um espaço sem preenchimento.
A princípio eu lutava e tentava acabar com esta sensação angustiante e dolorosa. Agora, quando ela me toma me coloco de outra forma. Não luto mais contra isso, percebi que é pior lutar contra si mesmo. Esse sentimento sou eu em carne viva, ferida exposta, parte do meu íntimo explicito portas e janelas abertas em dia de tempestade. É um espetáculo de mim para eu mesmo. Visualizo então tudo que sou e posso ser.
Depois eu penso...
Que vazio curioso, vejo tudo ali! É um falso vazio, talvez esse vazio total não seja possível. No entanto há uma sensação de vazio emocional, de perda de afeto, uma falta.
Continuo...
mas é a partir desse vazio que novas emoções surgem, para preencher esse falso-vazio. Que talvez não chegue a ser um vazio, posto que é imediatamente preenchido, mas é a abertura de um fluxo, uma comporta que se abre e por onde escoa novas emoções que buscam novos territórios, novos espaços. O vazio é o fluxo. Esse vazio é um desterritório e se dá no corpo, no dentro, no íntimo , mesmo sendo este um território.
Só pode haver fluxo onde há espaço vazio, só pode ser preenchido o que não está completo.
Que bueno este vazio! É uma grande abertura para possibilidades, é um portal para todas as encruzilhadas.
Que insuportável esse vazio! Não ter no que se agarrar, ser tudo possível, ser livre pra escolher... escolho então, serei isso ou aquilo, aqui ou acolá. Mas logo essa escolha se tornará velha e desgastada, se romperá e o vazio ainda estará em toda parte, renovado e jovial, forte e inabalável.
Vazio maravilhoso!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Estava sentindo esse pensamento dias atráz... com certeza é decorrente do processo pelo qual venho passando no Núcleo UHUU, nossas pesquisas...
As crianças não justificam as coisas. A cabeça de uma criança não procura justificativas para sentimentos ou sensações. Isso é bom de ser criança. Mas já não sou mais uma criança, e procuro justificar quase tudo, e isso me gera angústias, ansiedades...
No entanto acredito poder voltar a funcionar como a mente de uma criança, mente fluida.
Todo sentimento merece ser vivido e expressado. Assim, mesmo a tristeza é bela quando é sincera e profunda, e não uma couraça, uma camuflagem para outro sentimento.
"O mundo é apenas um mistério e deve ser tratado com tal" (Don Juan em "Uma estranha realidade" de Carlos Castaneda)
Assim o mundo dos seus pais (dos meus pais) e seus contratos secretos.
Não é "por que te fizeram isso ou aquilo" mas "por que você reagiu assim ou assado?".
Qual o sentimento profundo da vez? Que remexe lá dentro e faz vir o íntimo à tona?
No meu processo de humanização (à lá Nietzsche, talves), vou aprendendo a sorrir, a rir e estar à vontade, estar para a vontade, para o desejo. Para o meu desejo. Esse é meu aprendizado.
As crianças não justificam as coisas. A cabeça de uma criança não procura justificativas para sentimentos ou sensações. Isso é bom de ser criança. Mas já não sou mais uma criança, e procuro justificar quase tudo, e isso me gera angústias, ansiedades...
No entanto acredito poder voltar a funcionar como a mente de uma criança, mente fluida.
Todo sentimento merece ser vivido e expressado. Assim, mesmo a tristeza é bela quando é sincera e profunda, e não uma couraça, uma camuflagem para outro sentimento.
"O mundo é apenas um mistério e deve ser tratado com tal" (Don Juan em "Uma estranha realidade" de Carlos Castaneda)
Assim o mundo dos seus pais (dos meus pais) e seus contratos secretos.
Não é "por que te fizeram isso ou aquilo" mas "por que você reagiu assim ou assado?".
Qual o sentimento profundo da vez? Que remexe lá dentro e faz vir o íntimo à tona?
No meu processo de humanização (à lá Nietzsche, talves), vou aprendendo a sorrir, a rir e estar à vontade, estar para a vontade, para o desejo. Para o meu desejo. Esse é meu aprendizado.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O que busco na Performance arte
Primeiro post... nem sei como vai sair isso. Vou postar algo em que venho trabalhando.
O poder da arte como transformação. Transformação do performer antes de qualquer coisa. Se é que se pode dizer antes ou depois nesse plano de existência onde tudo simultâneamente ocorre. Propor-se a estar em processo de transformação e experimentação constante, determinar a vontade e exaltar a vida e seus riscos, entregar-se à vida como num salto no vazio (Ives Klein). É além de estar, mas ainda sentir-se em constante transformação. Transformação contínua e coerente com o caos. Ser caótico, pois tudo parte do caos e o caos é a própria dinâmica da transformação em evidência.
Busco o continuum do movimento. O movimento do primeiro grito ao último suspiro de vida, o que se mantém em que encontro estou? Fluência e confluência de fluxos. Consciência continua. O poder do movimento (Solar da mímica). Consciência superior do corpo, o tempo todo alerta. Mente desperta. O que me leva ao vórtice, ao olho do furacão, o centro da tempestade? E como é esse lugar, ou esse não lugar de mim; uma brecha, uma lacuna na linguagem, uma crueldade (Antonin Artaud)
A questão do corpo é outra coisa forte no meu trabalho. Que corpo é esse? Um corpo que parte do caos. (Um corpo sem órgãos ?) O corpo que medita. Rede. Filtro. Peneira. Espelho. Psicanalista. Escuta ativa. Combustível. Reação. Ação. O espelho. Um corpo que não para de se movimentar mesmo parecendo estático. Corpo pulsante, vibrante, vivo (corpo morto ! do Butoh.) O corpo Tempo, inventivo e contínuo. Dançante na música que se compõe e vibra em si.
E sempre procurando o prazer, essa é minha luz no fim do túnel.
Uhuus, salves, saravás e muita força pra nós!
O poder da arte como transformação. Transformação do performer antes de qualquer coisa. Se é que se pode dizer antes ou depois nesse plano de existência onde tudo simultâneamente ocorre. Propor-se a estar em processo de transformação e experimentação constante, determinar a vontade e exaltar a vida e seus riscos, entregar-se à vida como num salto no vazio (Ives Klein). É além de estar, mas ainda sentir-se em constante transformação. Transformação contínua e coerente com o caos. Ser caótico, pois tudo parte do caos e o caos é a própria dinâmica da transformação em evidência.
Busco o continuum do movimento. O movimento do primeiro grito ao último suspiro de vida, o que se mantém em que encontro estou? Fluência e confluência de fluxos. Consciência continua. O poder do movimento (Solar da mímica). Consciência superior do corpo, o tempo todo alerta. Mente desperta. O que me leva ao vórtice, ao olho do furacão, o centro da tempestade? E como é esse lugar, ou esse não lugar de mim; uma brecha, uma lacuna na linguagem, uma crueldade (Antonin Artaud)
A questão do corpo é outra coisa forte no meu trabalho. Que corpo é esse? Um corpo que parte do caos. (Um corpo sem órgãos ?) O corpo que medita. Rede. Filtro. Peneira. Espelho. Psicanalista. Escuta ativa. Combustível. Reação. Ação. O espelho. Um corpo que não para de se movimentar mesmo parecendo estático. Corpo pulsante, vibrante, vivo (corpo morto ! do Butoh.) O corpo Tempo, inventivo e contínuo. Dançante na música que se compõe e vibra em si.
E sempre procurando o prazer, essa é minha luz no fim do túnel.
Uhuus, salves, saravás e muita força pra nós!
Assinar:
Comentários (Atom)
